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Provador virtual

Provador virtual de óculos: o que muda na sua ótica

9 min de leitura

Você liga o provador virtual no painel, abre a sua loja online para ver como ficou, e não mudou nada. Nenhuma armação ganhou botão. A impressão imediata é a de que a ferramenta não funcionou.

Funcionou. Acontece que "esta loja tem provador" e "esta armação tem provador" são duas perguntas diferentes, e a segunda ainda não foi respondida para peça nenhuma do seu catálogo. Este texto é sobre a segunda: o que ela exige, quanto trabalho dá, o que o cliente leva embora quando funciona e o que a loja passa a enxergar depois.

O botão nasce na armação, não na loja

Na página de um produto da sua vitrine, o botão do provador só é desenhado quando duas coisas são verdade ao mesmo tempo: a ferramenta está ligada para a loja e aquela armação específica tem a imagem de prova cadastrada. Faltando uma das duas, não aparece botão — e também não aparece erro, porque não é erro.

É por isso que a tela do provador, no painel, abre com uma porcentagem de cobertura em vez de um interruptor sozinho. A cobertura é a fatia das armações ativas que já têm imagem. Uma loja com 300 peças cadastradas e 12 preparadas está em 4%: doze páginas de produto com provador, e 288 onde o cliente clica em tudo e não encontra nada.

O número é desconfortável de propósito. Ligar leva um clique; preparar o catálogo leva tarde.

A imagem do provador não é a foto do catálogo

A foto que você usa na vitrine tem fundo, tem sombra e tem a armação inteira em cima de uma superfície. Serve para vender. Não serve para provar, porque o sistema precisa desenhar só a armação em cima do rosto — e qualquer fundo que sobre vira uma mancha retangular na testa do cliente.

O que o provador usa é a armação recortada, com fundo transparente, de frente e sem inclinação. Um PNG com o fundo removido. É o único item da lista que dá trabalho de verdade, e é por armação: não existe um botão que recorte o catálogo inteiro.

Quem já organizou o cadastro sofre menos, porque a peça já está fotografada e conferida. Se o seu catálogo ainda não está nesse ponto, os tropeços mais comuns estão em cinco erros comuns no controle de estoque de armações e lentes — e vale resolver aquilo antes, porque a foto recortada é a última etapa de um cadastro que já precisa estar de pé.

Enviar em lote, quando o catálogo é grande

Recortar uma a uma e subir uma a uma é o caminho que ninguém termina. A tela do provador aceita envio em lote: você seleciona os produtos, escolhe os arquivos na mesma ordem e manda tudo de uma vez.

Cada imagem que chega passa por dois tratamentos automáticos, e os dois importam mais do que parecem:

  • Corte da sobra. O sistema apara a margem vazia em volta da armação. Sem isso, dois arquivos do mesmo modelo com quantidades diferentes de espaço em branco posicionariam a armação em alturas diferentes no rosto — e você passaria a tarde calibrando um problema que era do arquivo, não da calibragem.
  • Conversão para WebP com transparência preservada. A imagem fica bem mais leve sem perder o recorte. Peso importa aqui: o provador roda no celular do cliente, muitas vezes com a câmera ligada ao mesmo tempo.

O que o envio em lote não faz é adivinhar o pareamento. Os arquivos entram na ordem em que você os selecionou, então nomear as imagens com o código da peça e conferir a ordem antes de enviar economiza o retrabalho de descobrir, depois, que a Ray-Ban está no lugar da Chilli Beans.

Calibrar é uma vez por modelo

Armação recortada não nasce no tamanho certo. Uma peça infantil e uma máscara de sol ocupam frações muito diferentes de um rosto, e o arquivo não carrega essa informação. Por isso cada produto guarda dois ajustes próprios: a escala (o quanto a armação cresce ou encolhe em relação à largura do rosto) e o deslocamento vertical (o quanto ela sobe ou desce em relação à linha dos olhos).

É rápido, é visual e é definitivo: ajustou uma vez, vale para todo cliente que experimentar aquele modelo, em qualquer aparelho. O erro que custa caro não é errar a calibragem — é não conferir nenhuma. Uma armação alta demais fica na testa, e o cliente não conclui que o arquivo está torto: conclui que o provador é ruim.

O que roda no aparelho do cliente

Quando o cliente toca no botão, o navegador pede permissão de câmera e começa a procurar pontos do rosto: os cantos externos dos olhos, a ponte do nariz e as têmporas. São esses pontos que dizem onde a armação vai, de que tamanho e com que inclinação — é por isso que ela acompanha quando a pessoa vira a cabeça, em vez de ficar colada no meio da tela.

Duas consequências práticas. A primeira é que a qualidade depende da luz: rosto contra a janela, com a claridade atrás, atrapalha a detecção. A segunda é que nada disso exige aplicativo — roda no navegador que o cliente já tem aberto, sem instalar e sem criar conta.

Até três rostos ao mesmo tempo

O provador desenha armação em até três rostos simultâneos, e essa não é uma curiosidade técnica: é a situação normal da ótica. Quase ninguém escolhe óculos sozinho. Vai a mãe, vai o marido, vai a amiga que dá o voto de minerva — e no balcão essa cena acontece naturalmente, com um provando e os outros opinando ao lado do espelho.

Na loja online, um provador que só reconhece um rosto obriga cada pessoa a esperar a vez. Reconhecendo três, a cena da loja física atravessa para a tela do celular: uma pessoa segura o aparelho e três aparecem de óculos.

Nenhuma foto sai do aparelho

Esta é a pergunta que o cliente faz em voz alta e a que o lojista precisa saber responder, porque quem responde no balcão é você.

A imagem da câmera é processada no próprio aparelho e a foto capturada é montada ali mesmo, no navegador. Ela não é enviada para o nosso servidor, não fica guardada em lugar nenhum do sistema e não entra no cadastro do cliente.

O que o sistema registra é outra coisa, e é bem menos: um evento dizendo que alguma pessoa experimentou aquela armação, naquele momento. Três campos, e o registro nem aceitaria mais do que isso — o identificador do produto, o nome do produto e um código anônimo de sessão. Não existe campo de imagem nessa gravação, então não há por onde uma foto passar, mesmo por engano.

A diferença entre "não mandamos a foto" e "não existe onde a foto caberia" é o que transforma a promessa em fato verificável. É a segunda.

A foto sai com o nome da sua loja

Depois de experimentar, o cliente tira a foto e ela aparece com o nome da sua ótica marcado na imagem. Daí ele compartilha — e é aqui que o provador deixa de ser uma brincadeira de tela e vira trabalho de venda.

A foto vai para o grupo da família, para a amiga, para o marido que não veio. Em todos esses lugares ela chega com a sua marca junto, e chega no formato que as pessoas de fato usam para pedir opinião: uma imagem, não um link de catálogo. No aparelho que suporta compartilhamento nativo, o cliente escolhe o aplicativo na hora; nos outros, o caminho é o WhatsApp com o texto pronto, ou o download da imagem.

O efeito colateral é o que interessa: quem recebe a foto está vendo a sua armação sem ter entrado no seu site, e a conversa que vem depois já é sobre uma peça específica — não sobre se vale a pena passar na loja.

A mesma armação em cores diferentes

Se você cadastra a armação com variação de cor, o provador acompanha a cor escolhida: trocando a variação na página do produto, a peça desenhada no rosto muda junto. Isso importa porque cor é justamente o que o cliente não consegue decidir por foto de catálogo — a mesma armação em preto e em tartaruga são duas decisões diferentes, e é comum ele desistir da compra por não conseguir imaginar.

Vale a mesma lógica do resto: cada variação precisa da sua própria imagem recortada. Cadastrar três cores e recortar uma faz as outras duas caírem na foto da primeira.

O que a loja passa a saber

Todo uso vira registro, e o registro vira três respostas que a ótica não tinha antes:

  • Quantas provas aconteceram — no total, nos últimos 7 dias e nos últimos 30. É o número que diz se o recurso está sendo usado ou se ele está ligado e parado.
  • Quais armações foram mais experimentadas — as cinco do topo, com a contagem de cada uma.
  • Quanto do catálogo está preparado — a cobertura, que é o que explica um número de provas menor do que você esperava.

A lista das mais experimentadas é a que muda decisão. Ela não é a lista das mais vendidas: é a das mais desejadas, incluindo quem provou e não comprou. Um modelo muito experimentado e pouco vendido é uma pergunta específica para levar ao balcão — preço, disponibilidade de cor, ou uma foto de catálogo que não faz jus à peça. E na hora de comprar do representante, saber o que o público da sua cidade experimenta é informação que nenhuma tabela de fornecedor entrega.

O nome da armação fica gravado junto do registro, então o relatório continua legível mesmo depois de o produto ser renomeado ou sair do catálogo.

Por que o botão não apareceu

Quase toda dúvida sobre o provador cai em uma destas quatro linhas:

O que você vê O que está faltando
Nenhuma armação tem o botão A ferramenta está desligada para a loja
Só algumas armações têm Só essas têm a imagem recortada; a cobertura diz quantas
A armação tem foto e mesmo assim não aparece A foto está no campo do catálogo, não no campo do provador
Aparece, mas a armação fica torta ou grande demais Falta calibrar a escala e a altura daquele modelo

O que conferir antes de mostrar para o público

Um roteiro curto, na ordem em que os problemas aparecem:

  • Escolha de 10 a 15 armações para começar — as mais vendidas e as mais caras. Cobertura baixa em peças certas vale mais do que cobertura alta em peça parada.
  • Prove você mesmo, no seu celular, cada uma das que preparou. É onde a calibragem errada aparece em cinco segundos.
  • Peça para alguém de rosto diferente do seu provar também. Armação calibrada em um rosto só costuma ficar apertada em outro.
  • Confira em um aparelho com pouca luz. Se a detecção falhar, o problema é ambiente, e vale orientar o cliente no texto do produto.
  • Combine com a equipe o que fazer quando chegar a foto: quem responde, em quanto tempo, e o que perguntar. Foto compartilhada é um cliente com a mão levantada.

O provador é uma das ferramentas que o cliente da ótica usa com as próprias mãos, e a página que explica como o provador virtual funciona por dentro mostra a outra. Se a sua dúvida for onde a imagem recortada mora dentro da ficha do produto, ela fica junto do cadastro de armações com cor, medidas e código de barras. E se preferir ver funcionando com as suas peças antes de preparar o catálogo, a gente mostra numa chamada, sem compromisso.

Quer isso funcionando na sua ótica?

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